Esta é a primeira certeza. O Evangelho continua a ser a notícia, bela como a graça e ardente como o amor, que transforma quem a recebe com coração de criança: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt.11,25).
O Evangelho continua a ser fonte de bem-aventurança para quem, como Maria de Nazaré, O acolhe com coração pobre e disponível: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc.1,38). O Evangelho continua a ser o caminho de liberdade para quem, como Francisco, O acolhe no seu imediatismo, na sua frescura e na sua radicalidade: “Isso quero, isso peço, poder realizar com todo o coração…”. O Evangelho continua a ser Evangelho, quando cada um de nós, mesmo levando em conta a própria pobreza, tem a coragem de vivê-lO.
À distância de 800 anos de experiência de Francisco, somos chamados a encontrar-nos, livres e indefesos, com o Evangelho; somos chamados a deixar-nos iluminar e questionar por ele, para que a nossa vida recupere o sabor e a juventude das origens; para que a nossa vida escandalize e questione, como escandalizava e questionava a vida de Francisco e dos seus primeiros companheiros.
À distância de 800 anos da conversão de Francisco ao Evangelho, também nós, somos chamados a descobrir o Evangelho como livro da vida – sem reduzi-lO a ideologia, mais uma entre muitas – a assumi-lO como livro de leitura frequente, texto fundamental na nossa formação, que ilumine as nossas opções e possa justificá-las.
Queridos irmãos, voltemos ao Evangelho, porque voltar ao Evangelho é voltar para Cristo, o único que pode justificar a nossa vida. Voltemos ao Evangelho, porque voltar ao Evangelho é reviver a graça das origens. Voltemos ao Evangelho e seremos resgatados das nossas misérias e das nossas escravidões, dos nossos medos e das nossas tristezas, e resgataremos os homens nossos irmãos de suas misérias e escravidões, de seus medos e de suas tristezas. Voltemos ao Evangelho e respiraremos ar puro; nossas propostas serão novas; a coragem, a inteligência, a generosidade, a fidelidade de muitos irmãos nossos, gastos sem reservas e sem restituição, darão fruto e fruto abundante.
Sim, Irmãos, o Evangelho continua a ser Evangelho.
(Relatório do Ministro Geral para o Capítulo geral de 2006 nº5)
Prece Diária:
Francisco encontra-se com a Palavra e, confiante, deixa-se orientar por Ela.
Faz, Senhor, com que em cada momento e circunstância da nossa caminhada nos abramos ao “Evangelho da graça” e nos deixemos guiar por Ele que é Palavra que nos liberta, alimenta e salva.